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Introdução à Ecosofia

 

Os filósofos parecem ter colaborado a seu modo com o afastamento da natureza vivido pela marcha civilizatória. Inseridos no carbono das metrópoles, parecem ainda acreditar nas cidades, quando discutem teorias que supostamente, seriam aplicáveis a elas.

Nós, distintamente, queremos aproximar a filosofia do mundo natural.

Há muito sabíamos que a direção seria uma volta à natureza, por pertencermos a uma geração que pôde muito cedo constatar a corrupção ambiental imposta ao planeta, e os problemas sociais que passaram a imperar nas grandes cidades.

O contato com a natureza do Planalto Central, por outro lado, nos levou até a alma dos campos, onde pudemos sentir a liberdade de afastar-nos do ruído da civilização, num ambiente que apresenta paisagens imagens naturais de rara beleza.

 

 

Filósofos do Planalto Central - 2009

 

Ecosofia

 

O filósofo norueguês Arne Naess (1912-2009) foi o principal idealizador de uma corrente do pensamento ecológico contemporâneo conhecida como Ecosofia ou 'ecologia profunda'. O conceito surge pela primeira vez num artigo de 1973 onde, ao refletir sobre as práticas dos movimentos ecológicos, o filósofo distingue a abordagem ecológica 'superficial' da abordagem 'profunda', cuja ideia é a defesa da necessidade de uma nova prática ambiental que considere o ser humano como parte integrante da natureza e não como seu explorador.

As idéias e a influência de Arne Naess se fazem sentir no trabalho dos Filósofos do Planalto Central, fazendo eco com as abordagens de Ilya Prigogine, ao sugerir em 1979, a necessidade de uma nova aliança com a natureza, título de sua famosa obra escrita juntamente com Isabelle Stergers.

A filosofia sempre discorreu sobre a natureza. Ela precisa de uma natureza sobre a qual discorrer. Precisa de uma physis.

Ao nosso ver, é preciso estendê-la de alguma maneira à prática, ou seja, é preciso que esteja ligada com alguma forma de aplicação.

Ela precisa superar o simples ambiente da mente.

Quando formulamos questões como: quem é o ser humano que ocupa o espaço natural? O que é ocupar o espaço natural? Como preservar características sutis e muito importantes do meio ambiente, como a qualidade do ar? São questões complexas, que se referem ao ser humano e natureza circundante, evocando uma ecosofia.

 

 

Filósofos do Planalto Central - 2009

 

Filosofia também congestiona

A necessidade de uma ecosofia é premente, quando se analisa a condição ambiental dos grandes centros, lotados de comunicações, sinais, placas, outdoors, rumores, sons... enfim, toda a parafernália que se juntou ao modo de vida atual, e que caotiza o ambiente metropolitano. Somado é claro, à insuportável descarga diária de carbono e outros gases tóxicos, liberados constantemente pelos automóveis.

A filosofia, filha da physis (natureza), é uma atividade cuja participação na cidade é duvidosa. De fato ela pouco tem participado da polis, deixando isso aos políticos.

Em geral ela tornou-se uma trama cognitiva que é a própria tradição filosófica, entendida em geral como um sem fim de discussões, pareceres, contra-pareceres e etc. Tal ambiente simula o trânsito congestionado das grandes cidades.

O ambiente do filósofo é um caos, quando procura abrir-se informação universal.

De toda forma, apegar-se a partes, a particularidades não é de bom tom ao filósofo. Por natureza e vocação ele tem de abrir-se a este todo caótico que é a cultura filosófica e humana nesses tempos. Isso é trânsito, cruzamento.

O mundo da filosofia é semelhante ao do trânsito.

A verdade da cidade para nós chama-se congestionamento.

É preciso uma ecosofia. Sem é claro, jogar fora o conhecimento da tradição cognitiva, que reunimos sob o nome de epistemologia.

No mais, é respirar o ar da Chapada e ver suas estrelas.

O ambiente filosófico, também congestiona.

 

 

Filósofos do Planalto Central - 2009

 

Capim Adentro

Avançando até onde se desmancham as ondas de rádio, até onde perdem a força as morais e ganham força as onças... avançando mais, até onde se pode sentir o eco dos nossos juízos...

Às vezes em plena solidão, quando se sente o silêncio, diante das montanhas ali, simplesmente selvagens...

Capim adentro, é o que se vê , depois do último arame.

O significado dos campos difere dos significados dos homens.

Está nas cores, texturas e trilhas do capim barba-de-bode.

 

 

Filósofos do Planalto Central - 2009

 

Da filosofia ao mato


Com a juventude, foram embora muitos sonhos, que pareciam possíveis e que o tempo distanciou.

Sonhos de filósofos jovens, que levam quase sempre às mesmas estradas: ao funcionamento econômico do mundo.

Roubaram-nos a novidade do mundo, diríamos, quando nos deram o conhecimento das coisas.

Hoje, sabemos de tudo. Ora, do que sabemos?

Sabemos do que colocamos nos livros, e os empilhamos nas bibliotecas, e dizemos que ali está o saber.

Não satisfeitos, enfiamos o saber em chips.

E além disso, o dispomos na internet. É só pesquisar, digitar a palavra, a pista, a sentença.

O saber está na rede, é o que tudo indica.

Mas então, o que é este cinza das cidades, este calor, esta falta de oxigênio?

Ora, é a poluição causada pelos automóveis...

 

 

Filósofos do Planalto Central - 2009

 


Ecosofia

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Introdução à Ecosofia

 

Os filósofos parecem ter colaborado a seu modo com o afastamento da natureza vivido pela marcha civilizatória. Inseridos no carbono das metrópoles, parecem ainda acreditar nas cidades, quando discutem teorias que supostamente, seriam aplicáveis a elas.

Nós, distintamente, queremos aproximar a filosofia do mundo natural.

Há muito sabíamos que a direção seria uma volta à natureza, por pertencermos a uma geração que pôde muito cedo constatar a corrupção ambiental imposta ao planeta, e os problemas sociais que passaram a imperar nas grandes cidades.

O contato com a natureza do Planalto Central, por outro lado, nos levou até a alma dos campos, onde pudemos sentir a liberdade de afastar-nos do ruído da civilização, num ambiente que apresenta paisagens imagens naturais de rara beleza.

 

 

Filósofos do Planalto Central - 2009

 

Ecosofia

 

O filósofo norueguês Arne Naess (1912-2009) foi o principal idealizador de uma corrente do pensamento ecológico contemporâneo conhecida como Ecosofia ou 'ecologia profunda'. O conceito surge pela primeira vez num artigo de 1973 onde, ao refletir sobre as práticas dos movimentos ecológicos, o filósofo distingue a abordagem ecológica 'superficial' da abordagem 'profunda', cuja ideia é a defesa da necessidade de uma nova prática ambiental que considere o ser humano como parte integrante da natureza e não como seu explorador.

As idéias e a influência de Arne Naess se fazem sentir no trabalho dos Filósofos do Planalto Central, fazendo eco com as abordagens de Ilya Prigogine, ao sugerir em 1979, a necessidade de uma nova aliança com a natureza, título de sua famosa obra escrita juntamente com Isabelle Stergers.

A filosofia sempre discorreu sobre a natureza. Ela precisa de uma natureza sobre a qual discorrer. Precisa de uma physis.

Ao nosso ver, é preciso estendê-la de alguma maneira à prática, ou seja, é preciso que esteja ligada com alguma forma de aplicação.

Ela precisa superar o simples ambiente da mente.

Quando formulamos questões como: quem é o ser humano que ocupa o espaço natural? O que é ocupar o espaço natural? Como preservar características sutis e muito importantes do meio ambiente, como a qualidade do ar? São questões complexas, que se referem ao ser humano e natureza circundante, evocando uma ecosofia.

 

 

Filósofos do Planalto Central - 2009

 

Filosofia também congestiona

A necessidade de uma ecosofia é premente, quando se analisa a condição ambiental dos grandes centros, lotados de comunicações, sinais, placas, outdoors, rumores, sons... enfim, toda a parafernália que se juntou ao modo de vida atual, e que caotiza o ambiente metropolitano. Somado é claro, à insuportável descarga diária de carbono e outros gases tóxicos, liberados constantemente pelos automóveis.

A filosofia, filha da physis (natureza), é uma atividade cuja participação na cidade é duvidosa. De fato ela pouco tem participado da polis, deixando isso aos políticos.

Em geral ela tornou-se uma trama cognitiva que é a própria tradição filosófica, entendida em geral como um sem fim de discussões, pareceres, contra-pareceres e etc. Tal ambiente simula o trânsito congestionado das grandes cidades.

O ambiente do filósofo é um caos, quando procura abrir-se informação universal.

De toda forma, apegar-se a partes, a particularidades não é de bom tom ao filósofo. Por natureza e vocação ele tem de abrir-se a este todo caótico que é a cultura filosófica e humana nesses tempos. Isso é trânsito, cruzamento.

O mundo da filosofia é semelhante ao do trânsito.

A verdade da cidade para nós chama-se congestionamento.

É preciso uma ecosofia. Sem é claro, jogar fora o conhecimento da tradição cognitiva, que reunimos sob o nome de epistemologia.

No mais, é respirar o ar da Chapada e ver suas estrelas.

O ambiente filosófico, também congestiona.

 

 

Filósofos do Planalto Central - 2009

 

Capim Adentro

Avançando até onde se desmancham as ondas de rádio, até onde perdem a força as morais e ganham força as onças... avançando mais, até onde se pode sentir o eco dos nossos juízos...

Às vezes em plena solidão, quando se sente o silêncio, diante das montanhas ali, simplesmente selvagens...

Capim adentro, é o que se vê , depois do último arame.

O significado dos campos difere dos significados dos homens.

Está nas cores, texturas e trilhas do capim barba-de-bode.

 

 

Filósofos do Planalto Central - 2009

 

Da filosofia ao mato


Com a juventude, foram embora muitos sonhos, que pareciam possíveis e que o tempo distanciou.

Sonhos de filósofos jovens, que levam quase sempre às mesmas estradas: ao funcionamento econômico do mundo.

Roubaram-nos a novidade do mundo, diríamos, quando nos deram o conhecimento das coisas.

Hoje, sabemos de tudo. Ora, do que sabemos?

Sabemos do que colocamos nos livros, e os empilhamos nas bibliotecas, e dizemos que ali está o saber.

Não satisfeitos, enfiamos o saber em chips.

E além disso, o dispomos na internet. É só pesquisar, digitar a palavra, a pista, a sentença.

O saber está na rede, é o que tudo indica.

Mas então, o que é este cinza das cidades, este calor, esta falta de oxigênio?

Ora, é a poluição causada pelos automóveis...

 

 

Filósofos do Planalto Central - 2009