O Múltiplo, a diversidade
Pela rua passeia o ser humano. Bicho de muitas cabeças, cada um se esforça em cumprir sonhos.
Estruturas singulares em pleno andamento, mobilizados por suas crenças, metas, esperanças, emoções, valores.
Movidos ainda por vontades de preservação ou de inovação, mesclam em comunicações prováveis suas representações.
As representações se misturam, e originam mundos múltiplos, mundos em rede, que evoluem conforme sua resolução e comunicabilidade: sua organização e assentamento em metas comuns, compartilháveis e resolutas, que além de ideais cheguem à prática.
A Cultura e o tempo
A estrada é aberta. Não se sabe nem se acaba. Que estamos passando é a única certeza. A cultura é companheira de viagem.
Vão ficando nossas marcas, nossas digitais nas paredes da gruta, da caverna que é hoje o mundo.
Nossas atividades deixam sinais, que constituem uma mescla entre a história geral e a nossa, e vamos tecendo sentidos, como quem deixa testamentos, como se as coisas fossem parar exatamente do jeito que as colocamos – e que chamamos de ciência.
A identidade do mundo
Como expressar eficazmente nossa representação, multifacetada e móvel? Que pontos privilegiar, em meio a tantos enfoques?
Como indicar alguma insinuação de sentido, que seja tão importante assim, para um início, para um marco?
É que gostamos de olhar para o mundo todo. E o que há de tão importante nesse olhar, para ser comunicado?
Resultado do múltiplo, o que vem a ser – o mundo da cultura - às vezes parece apenas confusão, fervilhamento, consumo.
Às vezes parece apenas a desordem, mistura de sentidos.
Talvez seja esta a identidade do mundo.
O caos contemporâneo: a mistura de opiniões
A racionalidade sofre de perspectivismo, conforme as reflexões por nós apresentadas a respeito da epistemologia do séc. XX.
A ‘junção’ das perspectivas não dá em nenhuma ‘harmonia oculta’ ou coisa assim. O resultado da mistura de opiniões no mundo contemporâneo gera, na maioria das vezes, apenas um caos terrível, insano. É preciso coragem para ver isso, sem inventar maquiagem.
O pensador deve ser capaz de refletir essa insanidade, deve poder fazer o cálculo, deduzir, induzir ou mesmo verificar o que é mais ou menos o todo da vida habitual que vivemos, considerando todos os dados que perfazem este entendimento.
O conjunto das 'ações racionais' são assim um absurdo, e é mais ou menos este absurdo o que contempla o pensador crítico, que pratica a reflexão, ainda que ela se verifique também e apenas através da perspectiva.
Não era de se esperar! O esperado seria encontrar a verdade, depois de tanto cálculo, não o caos. No entanto, o que estava lá esperando era o caos, a desordem, o múltiplo. (o mundo)
Opiniõs, contra-opiniõ es; sujeitos e contra- sujeitos...
A consciência habitual, embasada em paixões, gostos, aversões, escolhas. Contradições com outros gostos, outras paixões, outras escolhas.
A ciência é um múltiplo. Luta entre opiniões e refutações que é a própria história da humanidade.
Pode-se chocar com a quantidade ínfima de razão que há no mundo.
Pode-se chocar com a quantidade ínfima de razão que há na filosofia.
Filósofos do Planalto Central - 2009