A filosofia e o incondicionado
A filosofia e o incondicionado
Nosso trabalho em filosofia nos leva à des-construção de alegorias. Um exercício, como diz Michel Serres em O Contrato Natural, rumo à estrutura nua, até trazer tona o vigoroso madeiramento.
Filosofia para nós se traduz como um amor ao incondicionado.
A sentença de Anaximandro de Mileto (cerca de 610-547 A.C.) sobre o ilimitado nos traz ecos antigos disso.
Nietzsche nos propõe que o valor da vida não pode ser avaliado.
Alain Badiou fala de um paradoxo do inominável.
Paul Feyerabend usa o conceito de incomensurabilidade.
Essas idéias vem trazer à tona uma mensagem. A mensagem é: nem todos os espaços podem ser descritos, nem tudo pode ser taxado, há muito mais do que podemos considerar.
Tais conceitos vem lembrar a manutenção da liberdade, entendida como 'não imposição conceitual'.
Somente esta liberdade a céu aberto é intrigante o suficiente. Este é para nós o fenômeno, o objeto da filosofia.
O mundo da cultura se envolve com alegorias e representações.
Queremos nos relacionar com a natureza, com o mundo natural, não somente com o mundo da cultura, um mar de opiniões cruzadas.
Queremos contemplar o mundo livre, não apenas o mundo descrito.
A aventura com o conhecimento vai de uma escala que abrange do conhecido (através das várias ciências e especialidades) ao incondicionado – o mundo que abriga nossa filosofia.
Talvez estejamos chegando ao tempo de um novo ceticismo: a cultura é o primeiro alvo. O saber é o principal suspeito.
Talvez assim possamos nos abrir para novos imaginários.
Filósofos do Planalto Central - 2009


