O ceticismo e a necessidade de sonhar - um guia da epistemologia do século XX

Alguns filósofos que desenvolveram o tema

 

Sexto Empírico – filósofo, médico e astrônomo grego (nascido provavelmente em Mitilene, no séc II). Viveu em Alexandria e Atenas. É considerado o principal representante do ceticismo antigo, optando pela doutrina dos que ‘continuam a investigar’. Considerado um grande compilador, resume e apresenta as doutrinas e os argumentos de pensadores anteriores. De seus livros, conservam-se os Esboços Pirrônicos, as obras Contra os dogmáticos e Contra os professores.

Francis Bacon (1561-1626) – filósofo inglês, pioneiro moderno na tentativa de estabelecer uma metodologia racional para a atividade científica. Para Bacon, precisávamos conhecer as leis da natureza por métodos comprovados. Por isso, defendeu o método experimental. Escreveu o Novun Organun.

Immanuel Kant (1724–1804) – um dos maiores influenciadores do período contemporâneo, foi levado à teoria do conhecimento pelo ceticismo de Hume. As objeções de Hume ao racionalismo dogmático e à metafísica, fizeram com que Kant reconsiderasse esta tradição, e procurasse defender a possibilidade da ciência e da moral. Publicou Crítica da Razão Pura (1781) e Prolegômenos a toda metafísica futura (1783).

Arthur Schopenhauer (1788-1860) – fortemente influenciado por Kant, considera o mundo de nossa experiência como simples representação. Ao procurar superar a aparência, o sujeito descobre sua vontade. Esta é a força que leva cada indivíduo a lutar, a querer preservar-se. Uma força universal de todos os seres. Obra mais importante: O mundo como vontade e representação (1818). ‘O mundo é representação minha...Tudo o que o mundo inclui ou pode incluir é inegavelmente dependente do sujeito, não existindo senão para o sujeito. O mundo é representação.’

Friedrich Nietzsche (1844-1900) – o filósofo alemão empreendeu talvez a maior crítica axiológica do século XIX. Acusou a filosofia de ser ‘memórias involuntárias dos filósofos’ e dizia que a ‘coisa em si’ é ‘vazia de significação.’ Obras: Humano, demasiado humano (1878), A Gaia Ciência (1881), Para além de bem e mal (1885), Para a genealogia da moral (1887).

Albert Einstein (1879-1955) – o físico ganhou o prêmio Nobel em 1921, tendo publicado Teoria especial da relatividade (1905) e Teoria geral da relatividade (1916). Seu trabalho revolucionou a compreensão do espaço, do tempo e da matéria, sugerindo novas experiências, que levaram entre outras, à produção de energia atômica. Ao publicar em 1934, seu livro Como vejo o mundo, o físico alemão expôs algumas considerações importantes a propósito da teoria do conhecimento.

Gaston Bachelard (1884-1962) – considerado o pai da epistemologia contemporânea, lançou as bases de um ‘novo racionalismo’, fundado na crítica da epistemologia tradicional e na renovação histórica das descobertas científicas. Sua obra contém uma investigação do imaginário humano sem fronteiras. A ciência implica a existência de um mundo do devaneio e das imagens contra o qual ele se instaura, o mundo do poeta. Obras de referência: O novo espírito científico (1934) e A formação do espírito científico (1938).

Alexandre Koyré (1892-1964) – filósofo russo radicado na França, fortememente orientado para a a história e filosofia das ciências, é um dos fundadores da epistemologia contemporânea. Seus trabalhos são consagrados à gênese dos princípios da ciência moderna, ao modo como surgiram na época renascentista e se desenvolveram até Newton. Obras: Do mundo fechado ao universo infinito (1961) e Estudos de história do pensamento científico (1966).

Henri Bergson (1859-1941) – filósofo francês, criador da expressão 'homo faber', que designa a essência do homem: ‘fabricar coisas e fabricar a si mesmo’. Propõe a criatividade como princípio da evolução e valoriza a intuição como forma de superar o determinismo do intelecto. Escreveu entre outras obras A evolução criadora (1907).

Alfred Whitehead (1861-1947) – filósofo da ciência e matemático inglês. Escreveu Principia Mathematica juntamente com Bertrand Russell. Obras: Princípios do conhecimento natural (1919) e A Função da Razão (1929).

Ernst Cassirer (1874-1945) – concebendo a filosofia antes de tudo como teoria do conhecimento, o filósofo alemão questiona os limites da religião, dos símbolos, dos mitos, da poesia, da cultura popular. Obras: A filosofia das formas simbólicas (1923) e Ensaio sobre o homem (1943).

Ludwig Wittgenstein (1889-1951) – filósofo austríaco, um dos fundadores da filosofia analítica. A noção central da segunda fase de seu pensamento, a partir de 1929, passa a ser o jogo de linguagem, ou seja, a multiplicidade do uso que fazemos das palavras e conceitos, sem que haja nenhuma essência definidora da linguagem enquanto tal. A análise da linguagem passa a ser vista como a consideração desses usos, das formas de vida a que pertencem, dos contextos de comunicação em que se inserem. O processo de elucidação que é a prática filosófica deve ser realizado levando-se em conta esses elementos. Publicou Tractatus lógico-philosofhicus (1921) e Investigações (1953).

Carl Werner Heisenberg (1901-1976) – físico alemão, recebeu o prêmio Nobel em 1932. Desenvolveu importantes pesquisas no campo da mecânica quântica, revelando sempre uma preocupação com as relações entre a física e a filosofia no tocante aos fundamentos da física e suas implicações filosóficas. São importantes para a filosofia, as conseqüências de seu 'princípio da incerteza' ou da indeterminação. Escreveu Princípios físicos da teoria dos quanta (1930) e Física e filosofia: a revolução na ciência moderna (1956).

Hans-Georg Gadamer (1900-2002) – filósofo alemão, grande representante da hermenêutica. Preocupado em valorizar o elemento estético na experiência humana, bem como a influência da tradição e dos ‘pré-conceitos’. Escreveu entre outras obras, Verdade e Método (1960). Gadamer define o homem, existencial e historicamente como homo hermenêuticus, e a vida humana como experiência interpretativa.

Círculo de Viena – associação fundada na década de 1920, para pesquisa dos métodos científicos. Com o objetivo de ‘eliminar a metafísica’, promoveram a idéia de eliminar  conceitos vazios de sentido e seus 'pseudo-problemas' através do método da 'verificabilidade' empírica, posteriormente atacado por Karl Popper em seu Conjecturas e Refutações (1963).

Georges Canguilhem (1904-1995) – junto com Bachelard, é considerado um dos fundadores da epistemologia contemporânea. Notabilizou-se por seus estudos em História das Ciências, sobretudo nas áreas biológicas e médicas. Escreveu entre outros Estudos de história e de filosofia das ciências (1968) e Ideologia e racionalidade na história das ciências e da vida (1977).

Maurice Merleau Ponty (1908-1961) – autor de A fenomenologia da percepção (1945). O filósofo francês tenta elucidar, fundado na tradição fenomenológica de Husserl, a relação originária do homem com o mundo e evidenciar as camadas de sentido pré-intelectuais e pré-discursivas a partir das quais pode tornar-se possível o discurso das ciências.

Kurt Godel (1906-1978) – matemático e lógico tcheco. A partir de 1938, passou a se destacar por seus teoremas sobre os limites dos sistemas formais, influenciando fortemente o desenvolvimento da lógica e da matemática no século XX. Publicou em 1931 uma prova da existência de sentenças indecidíveis em qualquer sistema formal da aritmética, conhecido como 'teorema de Godel', ou teorema da incompletude da aritmética. Seu trabalho tem grande importância na discussão sobre os fundamentos da matemática por apontar limitações internas aos sistemas formais, o que levou o filósofo da ciência Jacob Bronowski a refletir sobre a auto-referencialidade dos sistemas propositivos. Recentemente, Godel foi retomado por Alain Badiou em suas palestras brasileiras (1993), onde tornou a chamar à cena o pensamento do indecidível. Para Badiou, tais características da evolução matemática são coincidentes e conformes às suas reflexões sobre o quanto há de antecipação e aposta, livre conjetura, no percurso do conhecimento.

Jacob Bronowski (1908–1974) - pensador polonês que ensinou filosofia da ciência nos E.U.A. Publicou entre outras obras, Ciência e valores humanos (1956), A identidade do homem (1965) e As Origens do Conhecimento e da Imaginação (1978).

Karl Popper (1902-1994) – O filósofo austríaco desenvolveu uma das mais inteligentes descrições da ciência do séc. XX. Para ele, o conhecimento é essencialmente conjetural, sendo regulado pela crítica e a refutação empírica. Não há portanto, um ‘conhecer final’, pois não há parâmetros para julgar tal feito. Tudo o que temos em ciência são as teorias que se mantém, apesar da crítica e das tentativas de refutação empírica. Obras: A lógica da pesquisa científica (1935), Conjecturas e Refutações (1963) e Conhecimento Objetivo (1972).

Paul Feyerabend (1924-1994) - físico e filósofo da ciência austríaco, ensinou filosofia das ciências em Londres, Berlim e na Califórnia. É precioso seu livro Contra o Método: ensaio de uma teoria anárquica do conhecimento (1975). Nele, anuncia que nenhuma teoria  possui o privilégio de verdade sobre as outras, não havendo um método objetivo para a avaliação. Denuncia que na ciência vale-tudo, e que os cientistas usam de todos os truques e procedimentos para tentarem manter e 'objetivar' suas teorias. Foi um dos pioneiros a descrever a ciência transformando-se em tecnologia nos anos 70 e 80.

Thomas Kuhn (1922-1996) - físico americano que dirigiu seu trabalho à História das Ciências. Seu primeiro livro foi A Revolução Copernicana (1957), mas foi em Estrutura das Revoluções Científicas (1962) que Kuhn tornou-se conhecido como filósofo da ciência, ao popularizar o conceito de paradigma.

Ilya Prigogine (1917-2003) - prêmio Nobel de química em 1977, historia e fornece preciosas descrições da revolução relativista da ciência sobre a ciência moderna, newtoniana. São indispensáveis suas percepções na obra A Nova Aliança - metamorfose na ciência, de 1979. Publicou também Entre o tempo e a eternidade (1992).

Michel Serres (1930) – professor de história das ciências na Universidade de Paris, o francês tem publicado importantes contribuições à história, filosofia da ciência e epistemologia. Algumas de suas obras publicadas no Brasil: Hermes - uma filosofia das Ciências (1990), Filosofia Mestiça (1991), O Contrato Natural (1991) e Hominescências (2003).

Alain Badiou (1937) - filósofo francês contemporâneo, declara haver quatro condições para a filosofia: a ciência, a política, a arte e o amor. Renova as categorias de verdade e sujeito, ao precisar as condições de surgimento e curso de uma verdade, após uma antecipação do sujeito, que é sempre realizada no indecidível. Badiou busca auxílio nas matemáticas contemporâneas para defender a evidência epistemológica do forçamento de hipóteses (um ato indutivo). Viajou pelo Brasil em 1993 realizando palestras nos principais centros universitários. Estes trabalhos foram coletados na obra Para uma Nova Teoria do Sujeito, publicada em 1994. Outras obras: Teoria do Sujeito (1982), O ser e o evento (1988) e Manifesto pela Filosofia (1989).

Lúcio Packter (1962) – o filósofo brasileiro desenvolveu uma forma de terapia ao indivíduo que considera a cognição como evento complexo. Considerando dados organizados em tópicos, que contemplam dados sensoriais, circunstanciais e intelectuais, como pré-juízos, buscas, estruturação de raciocínio, intencionalidade e a axiologia de um sujeito com um problema específico, pode-se então ajudá-lo segundo os dados de sua estrutura singular. A especialidade é fundada nos desenvolvimentos da filosofia analítica, da fenomenologia, do estruturalismo e da epistemologia do séc. XX. Escreveu entre outros: Filosofia Clínica: propedêutica (1997) e Sinais (2005).

 

Alguns filósofos que desenvolveram o tema

 

O ceticismo e a necessidade de sonhar - um guia da epistemologia do século XX

Alguns filósofos que desenvolveram o tema

 

Sexto Empírico – filósofo, médico e astrônomo grego (nascido provavelmente em Mitilene, no séc II). Viveu em Alexandria e Atenas. É considerado o principal representante do ceticismo antigo, optando pela doutrina dos que ‘continuam a investigar’. Considerado um grande compilador, resume e apresenta as doutrinas e os argumentos de pensadores anteriores. De seus livros, conservam-se os Esboços Pirrônicos, as obras Contra os dogmáticos e Contra os professores.

Francis Bacon (1561-1626) – filósofo inglês, pioneiro moderno na tentativa de estabelecer uma metodologia racional para a atividade científica. Para Bacon, precisávamos conhecer as leis da natureza por métodos comprovados. Por isso, defendeu o método experimental. Escreveu o Novun Organun.

Immanuel Kant (1724–1804) – um dos maiores influenciadores do período contemporâneo, foi levado à teoria do conhecimento pelo ceticismo de Hume. As objeções de Hume ao racionalismo dogmático e à metafísica, fizeram com que Kant reconsiderasse esta tradição, e procurasse defender a possibilidade da ciência e da moral. Publicou Crítica da Razão Pura (1781) e Prolegômenos a toda metafísica futura (1783).

Arthur Schopenhauer (1788-1860) – fortemente influenciado por Kant, considera o mundo de nossa experiência como simples representação. Ao procurar superar a aparência, o sujeito descobre sua vontade. Esta é a força que leva cada indivíduo a lutar, a querer preservar-se. Uma força universal de todos os seres. Obra mais importante: O mundo como vontade e representação (1818). ‘O mundo é representação minha...Tudo o que o mundo inclui ou pode incluir é inegavelmente dependente do sujeito, não existindo senão para o sujeito. O mundo é representação.’

Friedrich Nietzsche (1844-1900) – o filósofo alemão empreendeu talvez a maior crítica axiológica do século XIX. Acusou a filosofia de ser ‘memórias involuntárias dos filósofos’ e dizia que a ‘coisa em si’ é ‘vazia de significação.’ Obras: Humano, demasiado humano (1878), A Gaia Ciência (1881), Para além de bem e mal (1885), Para a genealogia da moral (1887).

Albert Einstein (1879-1955) – o físico ganhou o prêmio Nobel em 1921, tendo publicado Teoria especial da relatividade (1905) e Teoria geral da relatividade (1916). Seu trabalho revolucionou a compreensão do espaço, do tempo e da matéria, sugerindo novas experiências, que levaram entre outras, à produção de energia atômica. Ao publicar em 1934, seu livro Como vejo o mundo, o físico alemão expôs algumas considerações importantes a propósito da teoria do conhecimento.

Gaston Bachelard (1884-1962) – considerado o pai da epistemologia contemporânea, lançou as bases de um ‘novo racionalismo’, fundado na crítica da epistemologia tradicional e na renovação histórica das descobertas científicas. Sua obra contém uma investigação do imaginário humano sem fronteiras. A ciência implica a existência de um mundo do devaneio e das imagens contra o qual ele se instaura, o mundo do poeta. Obras de referência: O novo espírito científico (1934) e A formação do espírito científico (1938).

Alexandre Koyré (1892-1964) – filósofo russo radicado na França, fortememente orientado para a a história e filosofia das ciências, é um dos fundadores da epistemologia contemporânea. Seus trabalhos são consagrados à gênese dos princípios da ciência moderna, ao modo como surgiram na época renascentista e se desenvolveram até Newton. Obras: Do mundo fechado ao universo infinito (1961) e Estudos de história do pensamento científico (1966).

Henri Bergson (1859-1941) – filósofo francês, criador da expressão 'homo faber', que designa a essência do homem: ‘fabricar coisas e fabricar a si mesmo’. Propõe a criatividade como princípio da evolução e valoriza a intuição como forma de superar o determinismo do intelecto. Escreveu entre outras obras A evolução criadora (1907).

Alfred Whitehead (1861-1947) – filósofo da ciência e matemático inglês. Escreveu Principia Mathematica juntamente com Bertrand Russell. Obras: Princípios do conhecimento natural (1919) e A Função da Razão (1929).

Ernst Cassirer (1874-1945) – concebendo a filosofia antes de tudo como teoria do conhecimento, o filósofo alemão questiona os limites da religião, dos símbolos, dos mitos, da poesia, da cultura popular. Obras: A filosofia das formas simbólicas (1923) e Ensaio sobre o homem (1943).

Ludwig Wittgenstein (1889-1951) – filósofo austríaco, um dos fundadores da filosofia analítica. A noção central da segunda fase de seu pensamento, a partir de 1929, passa a ser o jogo de linguagem, ou seja, a multiplicidade do uso que fazemos das palavras e conceitos, sem que haja nenhuma essência definidora da linguagem enquanto tal. A análise da linguagem passa a ser vista como a consideração desses usos, das formas de vida a que pertencem, dos contextos de comunicação em que se inserem. O processo de elucidação que é a prática filosófica deve ser realizado levando-se em conta esses elementos. Publicou Tractatus lógico-philosofhicus (1921) e Investigações (1953).

Carl Werner Heisenberg (1901-1976) – físico alemão, recebeu o prêmio Nobel em 1932. Desenvolveu importantes pesquisas no campo da mecânica quântica, revelando sempre uma preocupação com as relações entre a física e a filosofia no tocante aos fundamentos da física e suas implicações filosóficas. São importantes para a filosofia, as conseqüências de seu 'princípio da incerteza' ou da indeterminação. Escreveu Princípios físicos da teoria dos quanta (1930) e Física e filosofia: a revolução na ciência moderna (1956).

Hans-Georg Gadamer (1900-2002) – filósofo alemão, grande representante da hermenêutica. Preocupado em valorizar o elemento estético na experiência humana, bem como a influência da tradição e dos ‘pré-conceitos’. Escreveu entre outras obras, Verdade e Método (1960). Gadamer define o homem, existencial e historicamente como homo hermenêuticus, e a vida humana como experiência interpretativa.

Círculo de Viena – associação fundada na década de 1920, para pesquisa dos métodos científicos. Com o objetivo de ‘eliminar a metafísica’, promoveram a idéia de eliminar  conceitos vazios de sentido e seus 'pseudo-problemas' através do método da 'verificabilidade' empírica, posteriormente atacado por Karl Popper em seu Conjecturas e Refutações (1963).

Georges Canguilhem (1904-1995) – junto com Bachelard, é considerado um dos fundadores da epistemologia contemporânea. Notabilizou-se por seus estudos em História das Ciências, sobretudo nas áreas biológicas e médicas. Escreveu entre outros Estudos de história e de filosofia das ciências (1968) e Ideologia e racionalidade na história das ciências e da vida (1977).

Maurice Merleau Ponty (1908-1961) – autor de A fenomenologia da percepção (1945). O filósofo francês tenta elucidar, fundado na tradição fenomenológica de Husserl, a relação originária do homem com o mundo e evidenciar as camadas de sentido pré-intelectuais e pré-discursivas a partir das quais pode tornar-se possível o discurso das ciências.

Kurt Godel (1906-1978) – matemático e lógico tcheco. A partir de 1938, passou a se destacar por seus teoremas sobre os limites dos sistemas formais, influenciando fortemente o desenvolvimento da lógica e da matemática no século XX. Publicou em 1931 uma prova da existência de sentenças indecidíveis em qualquer sistema formal da aritmética, conhecido como 'teorema de Godel', ou teorema da incompletude da aritmética. Seu trabalho tem grande importância na discussão sobre os fundamentos da matemática por apontar limitações internas aos sistemas formais, o que levou o filósofo da ciência Jacob Bronowski a refletir sobre a auto-referencialidade dos sistemas propositivos. Recentemente, Godel foi retomado por Alain Badiou em suas palestras brasileiras (1993), onde tornou a chamar à cena o pensamento do indecidível. Para Badiou, tais características da evolução matemática são coincidentes e conformes às suas reflexões sobre o quanto há de antecipação e aposta, livre conjetura, no percurso do conhecimento.

Jacob Bronowski (1908–1974) - pensador polonês que ensinou filosofia da ciência nos E.U.A. Publicou entre outras obras, Ciência e valores humanos (1956), A identidade do homem (1965) e As Origens do Conhecimento e da Imaginação (1978).

Karl Popper (1902-1994) – O filósofo austríaco desenvolveu uma das mais inteligentes descrições da ciência do séc. XX. Para ele, o conhecimento é essencialmente conjetural, sendo regulado pela crítica e a refutação empírica. Não há portanto, um ‘conhecer final’, pois não há parâmetros para julgar tal feito. Tudo o que temos em ciência são as teorias que se mantém, apesar da crítica e das tentativas de refutação empírica. Obras: A lógica da pesquisa científica (1935), Conjecturas e Refutações (1963) e Conhecimento Objetivo (1972).

Paul Feyerabend (1924-1994) - físico e filósofo da ciência austríaco, ensinou filosofia das ciências em Londres, Berlim e na Califórnia. É precioso seu livro Contra o Método: ensaio de uma teoria anárquica do conhecimento (1975). Nele, anuncia que nenhuma teoria  possui o privilégio de verdade sobre as outras, não havendo um método objetivo para a avaliação. Denuncia que na ciência vale-tudo, e que os cientistas usam de todos os truques e procedimentos para tentarem manter e 'objetivar' suas teorias. Foi um dos pioneiros a descrever a ciência transformando-se em tecnologia nos anos 70 e 80.

Thomas Kuhn (1922-1996) - físico americano que dirigiu seu trabalho à História das Ciências. Seu primeiro livro foi A Revolução Copernicana (1957), mas foi em Estrutura das Revoluções Científicas (1962) que Kuhn tornou-se conhecido como filósofo da ciência, ao popularizar o conceito de paradigma.

Ilya Prigogine (1917-2003) - prêmio Nobel de química em 1977, historia e fornece preciosas descrições da revolução relativista da ciência sobre a ciência moderna, newtoniana. São indispensáveis suas percepções na obra A Nova Aliança - metamorfose na ciência, de 1979. Publicou também Entre o tempo e a eternidade (1992).

Michel Serres (1930) – professor de história das ciências na Universidade de Paris, o francês tem publicado importantes contribuições à história, filosofia da ciência e epistemologia. Algumas de suas obras publicadas no Brasil: Hermes - uma filosofia das Ciências (1990), Filosofia Mestiça (1991), O Contrato Natural (1991) e Hominescências (2003).

Alain Badiou (1937) - filósofo francês contemporâneo, declara haver quatro condições para a filosofia: a ciência, a política, a arte e o amor. Renova as categorias de verdade e sujeito, ao precisar as condições de surgimento e curso de uma verdade, após uma antecipação do sujeito, que é sempre realizada no indecidível. Badiou busca auxílio nas matemáticas contemporâneas para defender a evidência epistemológica do forçamento de hipóteses (um ato indutivo). Viajou pelo Brasil em 1993 realizando palestras nos principais centros universitários. Estes trabalhos foram coletados na obra Para uma Nova Teoria do Sujeito, publicada em 1994. Outras obras: Teoria do Sujeito (1982), O ser e o evento (1988) e Manifesto pela Filosofia (1989).

Lúcio Packter (1962) – o filósofo brasileiro desenvolveu uma forma de terapia ao indivíduo que considera a cognição como evento complexo. Considerando dados organizados em tópicos, que contemplam dados sensoriais, circunstanciais e intelectuais, como pré-juízos, buscas, estruturação de raciocínio, intencionalidade e a axiologia de um sujeito com um problema específico, pode-se então ajudá-lo segundo os dados de sua estrutura singular. A especialidade é fundada nos desenvolvimentos da filosofia analítica, da fenomenologia, do estruturalismo e da epistemologia do séc. XX. Escreveu entre outros: Filosofia Clínica: propedêutica (1997) e Sinais (2005).