Filósofos do Planalto
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Sumário
Apresentação
Tem sido necessária para nós, a vivência com liberdade nos campos do Planalto Central do Brasil.
Isso nos leva à tentativa de desenvolvermos uma filosofia libertária, embasada na tradição racional e simbólica do Ocidente.
O fazemos refletindo sobre a instituição dos significados, os objetos de cultura, relacionando as instituições lógicas e imaginárias, e observando a dinâmica de dois aspectos fundamentais: a singularidade do empreendimento cognitivo (enquanto centrado no indivíduo), e sua estruturação em sociedade, considerando a organização política.
O empreendimento busca compreender desde a singularidade do indivíduo, até as estruturas mantidas por eles (nós) conhecidas como sociedade, crivando-a com nossa interpretação.
Movidos pelo objetivo de apresentarmos uma descrição a respeito dos desenvolvimentos da epistemologia do século XX, somos conduzimos a observações políticas.
Ao nosso ver a epistemologia - uma conquista cognitiva global - tem a função de apresentar tentativas de reunião e organização do saber laico, livre e crítico, atualizando-o.
Inevitavelmente o fará relacionando este saber com alguma representação do nosso próprio tempo.
Possuindo o temerário destino de considerar 'o que foi recentemente superado' em ciência, em filosofia, a epistemologia tende a apresentar uma atualização dos cortes epistemológicos ocorridos na tradição cognitiva e que são irreversíveis.
Tentamos assim, endereçar o saber a um velho espaço, que conhecemos como liberdade.
Liberdade
A primeira qualificação que um filósofo deve ter: deve ser livre.
Em sua liberdade está sua filosofia, quiçá em sua vacuidade.
Talvez em sua pouca produção.
Talvez em ser arredio, o que preserva sua identidade, sua intimidade, sua privacidade.
A região do incondicionado, onde os filósofos atuam, é farta de ausência de atributos.
Lá (aqui) não encontramos limites claros como nas teses, nem a certeza com que a maioria trata a vida.
Nós vivemos vendo o capim 'rabo de burro' açoitado pelo vento, numa incerteza extraordinária.
Acho que a anarquia que promovemos com o conhecimento é algo de que Paul Feyerabend se orgulharia.
Ao mesmo tempo em que queremos ser 'metódicos e funcionais' - claros, não queremos saber de método algum. É nossa forma de ser livres, de fornecer liberdade para o ser.
A anarquia epistemológica é a não sujeição aos princípios formais de crescimento, de vir-a-ser algo no mundo.
Se nós mesmos não sabemos de muita coisa, como vamos depositar nas mãos de outros conceituadores qualquer soberania? (Como vamos seguir filosofias, certezas, pré-direções?)
Sabemos que a 'coisa em si' é vazia de significação, lembrando lições a começar por Nietzsche.
Por mais que tentemos acreditar que as construções dos nossos vizinhos sejam boas, sabemos que são só as construções dos nossos vizinhos, não os capins 'rabo de burro', açoitados pelo vento.
Acho que preferimos a incerteza.
A realidade é vazia de significação. Isto significa: deixai-nos viver significações próprias!
Sem método, mercê do vento nos coqueirais, nas montanhas.
Isto é significação humana. De resto são imposições.
Assim, nos parece inaugural a questão da liberdade, quando vivemos de nossas significações próprias.
O resto é curiosidade, consumo, troca.
As filosofias críticas sempre tenderam a des-obstruir o 'espaço do pensamento', com a intenção de possibilitar ao humano, à pessoa, uma experiência com a liberdade (vazio axiológico).
Quando há liberdade com consciência, há lucidez, atividade, movimento: filosofia.
Leia 'O ceticismo e a necessidade de sonhar - um guia da epistemologia do século XX' - de Cassiano Veronese, e envie seus comentários.
Filósofos do Planalto Central - 2009




